Dossiê Perverso

Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2018.

DOSSIÊ PERVERSO

Uma irresponsabilidade social sem precedentes a maneira açodada e obsessiva com que as Organizações Globo vêm, nos últimos dias, propalando aos quatro ventos a descoberta de um obscuro memorando da Central de Inteligência dos EUA (CIA), redigido nos idos de 1974.

Sem qualquer consistente análise do texto, fazendo letra morta do imprescindível rigor científico e da ética jornalística que devem preceder uma notícia que pretende alterar uma verdade histórica, o suspeito papelucho foi, de forma intempestiva e bombástica, exposto ao público. Impossível não se identificar a intenção de denegrir as Forças Armadas, com estranhos desideratos subliminares.

Desde que renegou a sua adesão de primeira hora ao apoio ao Movimento Cívico-Militar de 1964, que posteriormente continuou a prestar a todos os governos ditos militares, “O Globo”, de forma recorrente, insiste em olhar a história pelo retrovisor, colaborando para a desagregação dos brasileiros e atrapalhando a própria consolidação da nossa incipiente democracia, que tanto alardeia defender.

Tenta reabrir feridas que de muito já deveriam estar cicatrizadas pela Lei da Anistia, lei esta que fora reivindicada pelos mesmos que pretendiam impor ao Brasil, por meios violentos, a ditadura marxista-leninista.

Esquece da irrefutável verdade dos enormes benefícios trazidos ao desenvolvimento nacional pela incontroversa passagem do Brasil da 48ª posição na economia mundial para a 8ª.

Finge deslembrar-se do pacífico processo de redemocratização do país, conduzido pelo honrado General Geisel, o qual, já falecido e sem possibilidade de se defender, insiste agora em denegrir, junto com outros ínclitos chefes militares, estribando-se num suspeito “memorando” alienígena, trazido a lume de afogadilho e que mais parece um perverso dossiê.

Tudo no momento em que o país atravessa uma enorme crise moral, política e econômica, tendo como sua maior metástase a monstruosa insegurança pública que assombra toda a Nação e que já assassina mais de 60 mil brasileiros anualmente. Doença social que jamais poderá ser debelada sem a decisiva participação do patriotismo e do desprendimento das Forças Armadas, as quais, na dicção da Carta Magna, destinam-se “à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

O povo brasileiro está “se lixando” para esse novo e inusitado factóide, eis que antes, durante e depois do Movimento Cívico-Militar de 1964, tem dado às suas Forças Armadas o primeiro lugar nas pesquisas de opinião que indagam sobre quais as instituições nacionais de maior credibilidade.

Qual será de fato o perverso desiderato de tanta insensatez do atual jornalismo da Rede Globo? Por que tanto medo das Forças Armadas?

Algo a ver com as eleições de outubro próximo? Parece-me que sim.

Rui da Fonseca Elia
Vice-Almirante (Ref) – Presidente do Clube Naval.