Despedidas

     Em 11 de junho de 2013, assumi o cargo de presidente do Clube Naval. Nas minhas palavras iniciais mostrei todo o meu orgulho em ocupar a mesma cadeira que outros ilustres sócios, oficiais de Marinha, ocuparam. Citei, em nome de todos, o nosso fundador, o então Capitão de Fragata Luís Phillipe de Saldanha da Gama, cuja invejável trajetória de vida foi sempre considerada por nós como um modelo a seguir. Modestamente, tentei seguir suas águas.
     Dois anos depois, fui reeleito, e comentei no ato da posse que se os dois primeiros anos foram considerados, como sendo um período de afirmação administrativa, os anos que se seguiriam seriam o da confirmação.
     E, graças ao bom Deus, realmente o foram.
     Ao final de tudo, torna-se forçoso reconhecer que minhas metas foram atingidas e que o nosso clube alcançou um patamar de excelência tal que o qualifica como um dos melhores do Rio de Janeiro. Se não, o melhor.
     As nossas três sedes estão exuberantes, bem cuidadas, modernizadas e voltadas permanentemente na busca de inovações para oferecer aos associados lazer, cultura e esportes em espaços dignos e seguros.
     Os grandes e preocupantes problemas foram resolvidos ou equacionados: cito a antiga questão do certificado de filantropia que redundou em multas aplicadas pela Receita Federal na ordem de R$ 26 milhões e no acordo subsequente que estamos honrando sem dificuldades; destaco, também, o acordo em vias de ser firmado entre o Clube Naval (CHI) e  a Caixa Econômica Federal (FGTS) que afastará definitivamente quaisquer riscos  contra a integridade de nosso valioso patrimônio.
     Em resumo, tenho a satisfação de afirmar que o Clube Naval, como um todo, hoje goza de invejável saúde financeira.
     A nossa face assistencial (CHI e CABENA) foi robustecida, tendo-se ampliado as ofertas de serviços que, em última análise, permitem a mitigação dos injustos problemas que a família naval padece, em face dos perversos salários destinados aos militares.
     Nossa vertente política, que nasceu com o clube há 133 anos, foi incrementada: juntamente com o Clube Militar e o Clube de Aeronáutica, permanecemos atentos às ameaças à liberdade e à democracia, como acompanhar as medidas da chamada “comissão da verdade” quer impetrando ações na Justiça, quer apoiando juridicamente companheiros injustamente citados em relatórios ideologicamente parciais.
     Em 11 de junho de 2017 também encerrarei uma carreira paralela à que fiz na Marinha.
     Exatamente há quarenta anos, por convite do então presidente do Clube Naval, Almirante Maximiano Eduardo da Silva Fonseca, assumia a Vice-Diretoria de Esportes Terrestres do Departamento Esportivo. Era eu, então, um jovem Capitão-Tenente. Ao longo desse tempo só me afastei da vida administrativa do clube nos momentos em que encontrava-me servindo à Marinha em locais fora da cidade do Rio de Janeiro. E assim, ainda no serviço ativo, no posto de Vice-Almirante, fui eleito para o cargo de 2º Vice-Presidente. Posteriormente, tive a felicidade de, por dez gratificantes anos, ser o Comodoro do Departamento Esportivo.
     Nesta oportunidade só cabe agradecer a todos aqueles que me ajudaram a concluir com felicidade essas quatro décadas. Nesse universo de pessoas, estão meus diretores com seus talentos e dedicação; os que me honraram ao permitir seus nomes em minhas chapas eleitorais; os mais de 600 funcionários com seus abnegados trabalhos para manter o funcionamento de uma expressiva engrenagem administrativa; e aos sócios,  razão fundamental de tudo, pela compreensão e apoios.
     Ainda agradeço à minha família, na pessoa de Regina que soube compreender as minhas ausências durante todo esse tempo, não me recusando os indispensáveis apoios e aconselhamentos. Sempre na torcida por meu sucesso.
     A ela dedico toda essa bem-sucedida singradura.
     Por fim, elevo a Deus o meu agradecimento maior por me permitir viver momentos inesquecíveis de suprema realização, iluminando os meus caminhos dando-me sabedoria para superar obstáculos que foram muitos.
     Deixo a todos um afetuoso abraço.